MUNDO SEM GUERRAS E SEM VIOLÊNCIA

Mundo sem Guerras e sem Violência é um movimento social cujo objetivo é a criação de uma consciência não-violenta mundial.
Esta nova consciência será o passo necessário para um mundo livre de violência, não somente na sua expressão mais cruel, as guerras e a violência física, mas também livre da violência econômica, racial, religiosa, sexual, psicológica e moral.
Trabalha em particular para a cessação das guerras e os conflitos armados no mundo inteiro. Luta pela eliminação completa das armas nucleares, pelo desarmamento proporcional e progressivo das armas convencionais, pela retirada de tropas invasoras dos territórios ocupados, pela renúncia por parte dos governos a utilizar a guerra como meio para resolver conflitos a inclinação de reformas constitucionais que proíbam explicitamente o uso da guerra e por uma redefinição do rol das forças Armadas de hoje, estabelecendo como função primordial a prevenção das guerras. Para avançar nisto último é necessário ir limitando o uso das forças Armadas, democratizar seu funcionamento e suas relações com a sociedade civil, e colocá-las sob o controle público.
Sua aspiração é aunar ao movimento antibelicista, conectando os galhos do pacifismo e da não-violência dispersa geograficamente, e também dar seu ponto de vista sobre temas aparentemente não relacionados para ir avançando em uma compreensão global das guerras e a violência.
Eliminar as guerras representará sair definitivamente da pré-história humana e dar uma passagem de gigante no caminho evolutivo de nossa espécie. Um "mundo sem guerras" é uma proposta que olha ao futuro e aspira a concretizar- se em cada canto do planeta para que o diálogo vá substituindo à violência.
MSG postula o fato óbvio que a grande maioria dos seres humanos não quer as guerras nem a violência, mas ao mesmo tempo não acha que seja possível eliminá-las. Entende portanto que, além de realizar ações sociais, é preciso trabalhar revisando as crenças desta suposta imodificável realidade.
ANTECEDENTES
O Mundo Sem Guerras e sem Violência (MSG) é um Organismo que faz parte do Movimento Humanista. Este surgiu em 4 de Maio de 1969, com uma palestra pública de seu Fundador, Silo, conhecida como “A Cura do Sofrimento”, em uma localidade da Cordilheira dos Andes chamada Punta de Vacas, perto da fronteira entre Argentina e Chile.
O Movimento Humanista tem seu embasamento na corrente de pensamento conhecida como Novo Humanismo ou Humanismo Universalista. Este se encontra nas obras de Silo e na de diversos autores que nela se inspiraram.
Este pensamento, que implica também num sentimento e numa forma de viver, se molda em múltiplos campos das necessidades humanas, dando origem a vários Organismos e Frentes de ação. Todos eles se aplicam em seus campos específicos de atividade, com um objetivo comum: Humanizar a Terra; contribuindo assim para aumentar a liberdade e a felicidade dos seres humanos. E por isso têm em comum a metodologia da Não Violência Ativa e a proposta da transformação pessoal em função da transformação social.
Outros Organismos surgidos do mesmo Movimento Humanista são: o Partido Humanista, a Comunidade para o Desenvolvimento Humano, a Convergência das Culturas e o Centro Mundial de Estudos Humanistas.
Mundo sem Guerras e sem Violência foi apresentado pela primeira vez em 1995, no Encontro Aberto do Humanismo que se realizou no Chile, na Universidade de Santiago.
Objetivos
Mundo sem Guerras e sem Violência é um movimento social cujo objetivo é a criação de uma consciência não violenta mundial.
Esta nova consciência será o passo necessário até um mundo livre de violência, não somente em sua expressão mais cruel, as guerras e a violência física, senão, também, livre da violência econômica, racial, religiosa, sexual, psicológica e moral.
Trabalha em particular para que cessem as guerras e os conflitos armados em todo mundo. Luta pela eliminação completa das armas nucleares, pelo desarme proporcional e progressivo das armas convencionais, pela retirada das tropas invasoras dos territórios ocupados, pela renúncia por parte dos Governos a utilizar a guerra como meio para resolver conflitos, promovendo reformas constitucionais que proíbam explicitamente o uso da guerra e por uma redefinição das funções das Forças Armadas de hoje, estabelecendo como função primordial a prevenção das guerras. Para avançar nesta última é necessário ir limitando o uso das Forças Armadas, democratizando o seu funcionamento e suas relações com a sociedade civil, e pô-las sob o controle público.
Sua aspiração será se adicionar ao movimento anti-bélico, conectando-se aos diversos ramos do Pacifismo e da Não Violência, dispersos geograficamente, e, também, dar seu ponto de vista sobre temas, aparentemente não relacionados, para ir avançando numa compreensão global das guerras e da violência.
Eliminar as guerras representará sair definitivamente da pré-história humana e dar um passo de gigante no caminho evolutivo de nossa espécie. Um “mundo sem guerras” é uma proposta que mira o futuro e aspira a concretizar-se em cada recanto do planeta, para que o diálogo vá aos poucos substituindo a violência.
O Mundo sem Guerras e Sem Violência postula a realização óbvia de que a grande maioria dos seres humanos não quer as guerras e nem a violência, porém, ao mesmo tempo, não crêem que seja possível eliminá-las. O Mundo sem Guerras e Sem Violência entende, portanto, que além de realizar ações sociais, tem que se trabalhar revisando as crenças pessoais desta suposta realidade imutável.
Idéias Básicas
Sobre a Guerra.
A história Universal registrou mais de 2500 guerras, nas quais pereceram milhões de seres humanos. As guerras se realizam para redistribuir, por meio da violência armada, os bens sociais, arrebatando-os de uns e dando-os a outros. ¹
Estes interesses são encobertos, hoje, com motivos religiosos, geopolíticos, “defesa” dos direitos humanos, etc. Ao mesmo tempo o progresso tecnológico vai produzindo armas cada vez mais devastadoras que atingem mais e mais a população civil, justificando isso como “dano colateral”.
Na sociedade contemporânea existem poderosas forças sociais interessadas nas guerras tais como: o complexo militar-industrial; grupos racistas, nacionalistas radicais e fundamentalistas; grupos mafiosos, etc. A venda de armas é um dos negócios mais lucrativos que realizam muitos países, principalmente os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
Apesar de todos os intentos de vários Organismos Internacionais (entre eles a ONU) continuasse justificando a guerra e a violência como parta da “natureza humana”. O Mundo Sem Guerras e Sem Violência têm a visão humanista do ser humano como “ser histórico” cuja forma de ação social transforma sua própria natureza. Não só as guerras e a violência têm acompanhado a humanidade em seu desenvolvimento histórico, temos visto, quase, em toda época e, em muitos pontos geográficos, a aparição de uma atitude ética, solidária, compassiva, revolucionária e humanizadora.
Violência e Não-Violência Ativa
A existência humana esta aberta ao mundo e opera nele intencionalmente. Ela pode reduzir a o mundo a nada ( o niilismo, a negação portanto do corpo, da natureza e/ou da sociedade) ou humanizá-lo. É desde esta liberdade de opção, desde onde o ser humano elege aceitar ou negar as condições sociais em que nasce, desde aí, ela se desenvolve e morre.
Todas as formas de violência se manifestam como a negação da intencionalidade de outro ser humano (e, por certo, de sua liberdade), como ação de submergir o ser humano, ao conjunto de humanos, ao mundo da natureza. É esta ideologia da tornar o próximo um objeto que permitir que um prive ao outro de seu direito a liberdade, a felicidade e, por último, a vida. É também esta privação da liberdade que permite a uma minoria apropriar-se do todo social em violenta concentração de riqueza e recursos.
Assim se organizou um sistema socioeconômico de relações interpessoais e pautas existenciais, cujo o signo particular é a violência, a qual consideramos normal a maior parte do tempo, ainda que a dor e o sofrimento, pessoal e social, denunciem a necessidade de transformar dito sistema.
A Não-Violência aparece nos primórdios de quase todas as culturas e religiões, em seus momentos mais humanistas, com diferentes expressões, desde a “Regra de Ouro” até concretizar-se no Princípio da Ação Válida: “Quando tratas os demais como queres que te tratem, te liberas”!³
Emergente de tais experiências se desenvolve então a Não-Violência como metodologia de ação. Desde os movimentos anti-escravagistas e de descolonização, até os movimentos pelos direitos civis das minorias raciais, dos trabalhadores e das mulheres, passando pela oposição a regimes totalitários e ao armamentismo, sobretudo o nuclear, a Não-Violência ativa se apresenta como a única metodologia de ação que é coerente com seus objetivos. O Novo Humanismo a aplica desde seu início, não a um conflito particular, senão, a criação de um sistema global, um câmbio de signo integral para o mundo em que vivemos.
Até quando o ser humano não realize plenamente um sociedade humana, quer dizer, uma sociedade na qual o poder está com o todo social e não só com uma parcela dele (submetendo e transformando em objeto o conjunto), a violência será o signo sob o qual se realizará toda atividade social. Por ele, ao falar de violência, tem que se mencionar o mundo instituído, e se a esse mundo se opõe uma luta não-violenta, deve-se destacar em primeiro lugar que uma atitude não-violenta é tal porque não tolera a violência. De maneira que não é o caso de justificar um determinado tipo de luta, senão de definir as condições de violência que impõe esse sistema inumano.
MATERIAIS OFICIAIS
. Documento Humanista, Silo, 1992.
. Manual de formação pessoal para membros do Movimento Humanista. Centro de Estudos Parque Punta de Vacas, 2009.
. Obras Completas, Vol. I e II, Silo, Plaza e Valdés, 2002.
. Desarme e Reconciliação para um mundo sem guerras, Rafael de La Rubia.
. Auto-liberação, Luis A. Ammann, (Ed. 1980, atualizado em 2004).